Por mais idiota que seja postar um desabafo em um blog, não estou com meu irmão do meu lado e tudo que eu preciso era dizer algo, escrever um papel e jogar a garrafinha no mar.

Como entender? A vida segue de uma maneira descontrolada rumo a algum lugar que parece que não queríamos estar. Um Clube da Luta, uma Metropolis. Acho que quando alguém nos ensina a não mentir, não nos prepara para as mentiras que estouram sem sabermos de onde em um súbito que jamais conseguiríamos controlar. “Eu estava certo” é tudo que consigo pensar quando me deparo frente a frente com o pior que meu amargo pessimismo conseguiu me preparar. Estou aqui, olhando, encarando tudo que temi e tento cantar desesperadamente aquele trecho da musica do Legião Urbana “nada mais vai me ferir, pois eu já me acostumei” sendo que não estou acostumado com tanta dor e sofrimento. Eu posso ter sofrido de amor na adolescência, mas agora, agora eu queria aquele amor tranquilo, aquele estamos juntos para sempre que as canções de amor gritavam e eu não ouvia. Acho que é aquele furacão, aquela tempestade que chamamos de vida que acaba assolando nosso mundo e deixando ruínas que, um bom historiador gostaria de explorara e encontrar mais fontes para reconstruir essa história. Mas Macondo não existe mais. Uma história que ela não quer ouvir, que não quer entender ou nem dá a mínima importância. Sentimentos? O que são sentimentos perto do egoísmo humano e a vontade de chegar a algum lugar? Sim, ela, sempre ela. Sendo homem temos desejos e vontades, abrir o peito de deixar sair aquele sentimento que nos faz humanos, o melhor que poderíamos ser. Sim, ela. Engraçado como mesmo estando com alguém aquela solidão bate de uma maneira tão aterradora que tira o chão, as certezas e que pulsa um eletrizando “não sei”, uma vontade de chorar dizendo “não sei”, de gritar aos prantos “EU NÃO SEI!”. Gostaria de poder dizer “nada” e aguentar todo esse engodo que é a vida que levo. E tentar superar por que é simples assim. Mas não aguento. A agonia da fila, da espera. Eu sei o que quero, mas não quero querer algo que não me quer. Não quero deixar de ser quem sou, e te fazer chorar. Não quero pensar que a vida se vai em minha mãos como areia e a única coisa que faz a areia ficar é por estar molhada com minhas lagrimas e sofrimento. Que se vá. Vá com o vento, com a água, com a chuva com o que quiser. Mas me deixe me recuperar, me deixe ficar deitando no meu amargo pessimismo e superar a minha vida. Não quero evitar a queda, não aceitei o estoicismo na minha vida. Quero sentir tudo que posso todo amor que se vai e deixar todo o resto ir junto, pra levantar depois, olhar pra frente como sempre fiz e ir. E assim que superei aquela montanha em baixo de chuva, aquela trilha carregando as coisas de um amigo, aguentando a covardia do grupo pois o grupo não entendiam que não faz diferença nenhuma voltar ou seguir em frente. Cala a boca e anda. Eu sei fazer isso. É o que farei. Hoje pulsa na minha cabeça aquela dor de estar certo, de ter dito que você não aguentava, que você não era confiável, que seus olhos azuis não iam ficar comigo por tanto tempo. Eu disse que não íamos ficar juntos. Eu disse que você não era a mulher certa para mim lá em Montevidéu. Falei, enquanto você chorou, brigou, esperneou. Depois, falou que ia ser. Me fez jurar que eu ia esquecer esses sentimentos, que você queria fazer parte da minha vida. Você Me Fez Jurar, em lagrimas, para que pensássemos no futuro juntos. Foi você que me fez ser o que sou agora. Esse lesma sentimental que te quer e quer te fazer bem. Eu estava certo. É um dos piores sentimentos que eu podia sentir agora. Eu, aquele cara que, na época tinha 21 anos de idade, estava malditamente certo sobre tudo. Agora, quando sou eu que falo para fazemos o futuro você teme, foge, se intimida sobre o que me fez jurar. Eu nunca te trai, eu tentei ser leal a você e a mim e, quando ser eu mesmo te fazia chorar acabei evitando ser um monstro e te fazer feliz. E tudo que você conseguiu me trazer após malditos três anos foi confusão e sofrimento. Você se entregou para um cara que você nem conhecia só por que ele sorriu pra você. Você vem me dizer que tem sentimentos para com um amigo de infância meu e quer que eu entenda? Foi você que não aceitou quando eu disse que queria um relacionamento aberto, foi você que falou que não era assim que funcionava que me queria só pra você. E eu aceitei. Tolo que sou, neguei a anarquia dentro de mim pelo amor de uma polaca que não merecia metade da minha verve. Se agora sinto que preciso entender e escrever, de gritar aos quatro ventos que eu não estava errado, como um louco medieval ao propagar o obvio, faço isso por que de tudo que me resta sobra a loucura. Da lógica que sinto orgulho só sobram as palavras. Toda carta que te escrevo foi mau interpretada. Quando quero te incentivar a lutar pelos seus sonhos a única coisa que você lê é que eu te acho uma fracassada. De quando peço para ser a garota que você era, você entende que eu não amo quem você é. E, quando eu sou forçado a ouvir as mesmas coisas junto de “eu não sei se te amo”, devo eu ser estoico. Ser um cavaleiro que ao encontrar a princesa na torre tenho que dar a ela o privilegio da escolha. Ótimo, que se dane minhas metáforas, meu jeito enrolado de falar e meu diploma. Que se dane meus sentimentos e quem eu foi e sou. Que se dane o que prometi e o que jurei. Afinal, hoje, você não sabe. Você quer se descobrir e entender. E eu não faço mais parte disso. E quando eu peço pra saber por que você diz, plácida, “não é você, sou eu”. Obvio, se fosse eu você faria questão de esfregar na minha cara. Foi você que me fez não querer gravar na minha pele os dizeres do “Não, não quero nada” que Fernando Pessoa me sussurrou na adolescência e ficou na minha cabeça até hoje. Foi você que me fez pensar “não quero nada, só você” e, agora, me sinto estúpido por não ter aceito aquela vez que terminamos. Ter aceito a condição humana. Ter sofrido com meus amigos, ter sofrido sozinho, ou ter sofrido no raio que o parta, mas ter sofrido a dor da perca do que ficar no martírio da angustia. Acho que as pregadas foram menos dolorosas do que ter que carregar a cruz até o topo daquele monte. E ter carregado em uma maldita fila de outros criminosos. Eu só queria tudo que você sempre quis. Fazer parte. Estar junto. Que você me fizesse sorrir. Se sou egoísta? Posso ser, da mesma forma que você aceita ser coverde eu aceito meu egoísmo, sou humano, nasci assim. Eu quero alguém que faça valer a pena ser alguém melhor. Me sinto um bundão, um bostinha, como aqueles namorados idiotas da minha irmã que vinha até aqui em casa chorando por causa dela. Mas não chorarei mais. Quando sussurrar não adiantar gritarei que “nada mais vai me ferir, pois eu já me acostumei” , até eu me acostumar. E você será um espaço no meu passado, que lembrarei com carinho como lembro de todas as outras. Como diria Nick Hornby, em Alta Fidelidade, se você esta tentando me foder, muitas fizeram isso antes de você.

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irish post

agora ja sem desenhos pra postar, mas com historias pra contar.

tudo uma zona essa galeria de fotos, mas enfim, eh isso ai, estou em dublin, muito bem instalado, comendo muito carneiro ensopado e estudando muito ingles.

 

beijos a todos ai no brasil, muita saudade, saudade bom que me motiva.

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Depois de uma semana com as lagrimas salgando a garganta ,elas se foram. Vazaram pelos olhos sem pudor nem piedade, junto de soluços largos na tentativa de falar “porra cara, eu te amo”, “você é meu melhor amigo”. Aquelas coisas que todos sabem, que não é segredo, mas ardem na hora de serem ditas em uma despedida.

Depois, é somente isso. Esperar notícia, torcer pela felicidade e que, em algum momento depois da aventura, alguns dragões vencidos e castelos conquistados, ele voltar para contar a história. Com aquele sorriso que cativa e aquele jeito de ocupar o ambiente que fez dele quem ele é.

Quando alguém parte, vai para o outro lado do oceano, agente sabe que vai ser legal, que as experiências serão inesquecíveis, que a vida continua e segue seu caminho. Mas é impossível não reparar no vazio. Quando olhar para aquele canto do guarda-roupa ou para os livros na prateleira verá alguém sorrindo em uma cidade que não consigo imaginar como seja. Vai estar feliz, e eu também.

Até depois meu irmão, boa viagem e ótima vida. Te espero ou te encontro, o que vier primeiro.

 

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Projeto Poker

Fiz um planejamento para mim mesmo. Aprender a jogar poker!

Sempre fui fascinado por baralhos, naipes, fichas coloridas, cassinos e toda a sorte de jogos de cartas. Não é difícil ser seduzido pelo jogo, os naipes vermelhos e pretos sobre o pano verde são de uma intensidade que parece cutucar alguma coisa lá no fundo de todas as pessoas que pensa na sorte como uma linda garota de 18 anos, que acredita saber das coisas e fica andando pelos corredores com aquela saia curta, meia 7/8, blusa colegial e um sorriso carismático no rosto… tirando a maquiagem forte e as roupas semi-góticas, muito parecida com a Morte de Neil Gaiman.

Porem, poker não é sorte, não senhor. Poker é estratégia, adrenalina, auto controle e pensamento rápido. Poke é o caminho, e não o fim. A arte de se alto conhecer e tomar decisões. Estar preparado para largar mão de seu bem mais precioso para sobreviver, tendo em mente que, você quer bens mais preciosos. Suas ambições e desejos não podem sobrepujar o plano, o projeto, a matemática da coisa. Poker não é destino, é habilidade, competência e elegância, tudo isso para atrair a atenção daquela menina bonita com suas meias 7/8, blusa colegial e sapatos surrados.

Como metas, tracei cinco partes iniciais. A primeira: Abaixar um jogo on-line e começar a jogar sempre, arriscando tudo e vendo tudo. Aprender as regras, sentir as apostas. Como o dinheiro é virtual não há preocupações, pois quando acaba facilmente tem como acrescentar mais e voltar ao jogo.

A parte um é tratar o jogo como um divertimento mas não me contive a jogos on-line. Há alguns anos em uma das historias estranhar e constrangedoras da minha vida, eu ganhei um jogo grande de fichas de poker de uma garota que eu não conhecia e que não morava na minha cidade. Fora toda a historia, essas fichas sempre me pareceram um incentivo e, para todo lugar que eu ia, leva-as comigo para incentivar um jogo, sem apostas, só pra sentir as cartas entre os dedos. Assim, o poker não parecia algo intimidador. No mínimo, achei que não.

A parte dois era começar a levar a serio. Participar de torneios de grana virtual, começar a assistir jogos de poker na TV (ou no Youtube, já que não tenho Tv a cabo) Ainda divertido e ainda empolgante. Assisti todas as finais do WPT de 1989 até 2009 (todas que tinham na internet) Vi algumas dicas de mãos. Aprendi a fazer um ou dois truques com as fichas (aquelas coisas de rodar elas nos dedos, embaralhar e tals). Em fim, vendo e tentando entender por que eles jogavam aquelas mãos, por que não jogavam. Muitas vezes os comentaristas falam coisas interessantes, que acabam agregando informação. Por incrível que pareça, só de fazer isso me fez ganhar um torneio virtual Sit’&’Go.

Então, veio a parte três. Estava confiante, empolgado. Havia descoberto que há torneios todas as terças, as 15h, na cidade de Curitiba, em algum lugar onde fica a federação de poker da cidade. 30 reais a inscrição… (ainda não fui lá… mas é um plano!) A parte três consiste em estudar, sentar a bunda na cadeira e entender o que estou fazendo. Assim, comprei um livro chamado “Texas Hold’em – Avançado – Passo a passo” de Neil D. Meyers. Porem, ao começar a ler o livro percebi que não entendia porra nenhuma do jogo. Ele falava termos ,somava cálculos, fazia perguntas sobre cartas e posição, em fim, coisas das quais eu nada entendia. No próprio livro ele começou a falar “se você não entende o básico, então você não é um jogador avançado, recomendo ler o básico antes de aproveitar esse livro”. Bom… eu realmente não era um jogador avançado, ter ganho aquele torneio me pareceu, depois de ver o livro, pura sorte.

Então comprei o livro “Aprendendo a jogar poker” de Leo Bello. Um livro grosso de boa envergadura, escrito por um brasileiro. Excelente o livro, o inicio é um grande blábláblá, mas quando começa a falar de Texas hold’em, a grandeza do jogo se amplia, e tudo aquilo sobre habilidade e pura sorte se mostram como sendo simples. O jogo começa a exigir dedicação e atenção. Devorei o livro. Ganhei dois Sit’&’Go seguidos (virtual, é claro) e comecei a me empolgar. Mas quanto mais ele ia chegando a dicas mais avançadas, mais eu ficava confuso. Agora, com o livro lido, tomar uma decisão se torna mais complexa e difícil. Uma analise mais meticulosa do que instintiva. O que é bom, mas minha matemática ainda é extremamente ruim.

Estou estagnado aqui, me coloquei na parte 3.5 do meu projeto. Estou lendo aquele livro que parei de ler sobre Texas avançado. Olhando pra parte quatro com cobiça…

É bom lembrar que fui assaltado, tive que comprar meu livro de poker novamente. Isso me deu uma puta broxada sobre tudo mais na vida, incluindo poker. Também fui “demitido”, o que me fez ter que ponderar sobre grana e investimentos.

A parte quatro consiste em fazer um deposito moderado em um site de jogo online e tentar não perder dinheiro. Jogar a serio. E conseguir algum lucro com o que aprendi. Tentar ir subindo de níveis. Jogar poker “de verdade”.

A parte cinco é ganhar um torneio on-line. Jogar neste torneio das 15h aqui de Curitiba e a parte 5.5 é viajar para são Paulo para jogar contra os melhores do Brasil.

Estou me sentindo pouco confiante, ainda tenho que estudar muito pra chegar longe nesse jogo. Ultimamente tenho perdido com boas mãos e ainda não sei onde estou errando. mas vou seguir tentando. Gostaria de estar em uma mesa final dos grandes campeonatos brasileiros ou, quem sabe, ir para a parte 6: viajar para Puntal Del Leste – Uruguai – e jogar no Conrad, o maior cassino da America do sul. Isso sim deve ser divertido!

A parte 5 e 6 meio que são similares… consiste em viajar para jogar poker. Deve ser gostoso, ir para uma cidade nova, diferente, passear e, a noite, jogar poker, conhecer pessoas e ter historias para contar.

Vou seguir esse plano, tenho tantos, mas todos exigem muito mais tempo e muito mais dedicação, o que me leva a ter que ter algo pra relaxar e ter juntar grana para investir nesses planos maiores. Espero conseguir isso com o poker, uma grana para comprar meus livros do mestrado, melhorar meu computador e ter tempo para escrever.

Estou me colocando no caminho, agora só resta andar pra frente.

Prometi pra mim mesmo se, um dia eu ganhar 10mil reais jogando poker, eu tatuo os quatro naipes no braço. Isso é pra parte 7 em diante. Mas seria legal meus netos perguntarem sobre essa outra tatuagem e eu falar “teu vô foi um jogador de poker profissional…” “O que é poker vô?” “Sentai ai que eu tenho uma historia pra te contar”.

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Silhuetas e Deduções Noir 3

Hary saiu do seu escritório no outro dia cedo, tinha uma viajem pela frente e gostaria de terminar logo com isso. Já havia perdido a final dos Jogos Escoceses, e Anastasia já havia indo embora do seu escritório, após deixar marca de batom em seu travesseiro. A noite havia sido tranqüila e amena, porem, sua nova cliente se mostrava um tanto quanto persuasiva em convencer Huperson a trabalhar no caso, fazendo isso de maneira amadora. Ela não precisava ter dormido com ele, e ele sabia disso, e seus gemidos ainda vinham a sua lembrança quando começava a tentar explorar o caso.

“Por que a esposa do cara que estou procurando à tantos anos, viria até mim, me jogaria uma prova dele estar envolvido, no mesmo dia em que a noticia que minha antiga cliente morre? No mínimo, alguma coisa, não está batendo.” Ele suspira, esperando o sinal de pedestres abrir “As vezes me sinto um espião, onde a paranóia está a um passo atrás de mim.”

Estes pensamentos eram as peças de um intrincado quebra cabeça que o detetive tentava montar, em quanto via a serra do mar do Paraná pela janela do trem. Eles só se dissipavam quando o trem balançava sobre a Ponte São João ou pelo Viaduto do Carvalho, que, neste dia limpo e claro, estavam como uma obra ultra realista que fotografo algum conseguiria deixar tão perfeitas, e passavam tão rápido que durante dias se tentava reconstruir na lembrança sem nada conseguir. Sem contar, claro, acompanhar os mochileiros desembarcando na Estação do Marumbi, com mochilas ou bermudas coloridas, alguns com copos balançando na cintura, conversando e admirando o conjunto de montanhas que será o desafio daquele belo domingo que se abria. Fora esses momentos, as peças monocromáticas se embaralhavam em sua mente.

Chegando a Paranaguá,  o detetive estava esticando as pernas, em quanto fumava um cachimbo pela janela. Estava relaxado e já tinha algumas perguntas a fazer. Pretendia pegar o trem das 16h par voltar, chegar em casa e assistir alguma reprise de poker na televisão.

O cheiro fétido do porto habitou sua narina, nem mesmo o tabaco conseguir tirar o cheiro de grãos, óleos, peixe, barcos e tudo mais que deva causar aquele cheiro cosmopolita que não se tem como entender.

Ele seguiu em uma caminhada moderada até a Praça do Mercado, se sentou em uma cadeira de plástico, com um guarda sol para a pacífica luminosidade matinal e pediu um wisky, nacional, já que o importado, em lugares como esse, não fazem tanta diferença assim. Junto, pediu uma porção de camarões. O ar ameno daquela manha o estava agradando. Era bom estar na praia.

Seu terno tweed estava pendurado no respaldar da cadeira amarela de plástico e as mangas da camisa estava arregaçadas, os dois últimos botões deixavam o peito livre para receber as brisas do mar. Durante uma meia hora ele acompanhou os barcos saírem para as ilhas do Mel, Superagui, Peças e outras que circundavam a baia.

Foi quando Nebraz chegou. Era um estivador do porto, amigo de outros casos de Hary e que, sempre acabava ouvindo o que valia a pena ouvir. Um homem que aprendeu cedo o valor de uma boa informação, e quanto ela valia em crack. Uma droga comum entre os barqueiros da região, que superou o álcool nos últimos anos. O homem de braços fortes e uma testa curta e com uma cabeleira loira escura ocupou a cadeira soltando um suspiro de prazer.

- H3! – disse por fim, chamando o garçom apontando para o copo sobre a mesa. – Tenho algo bom pra você.

- Por isso que te procurei Direitero.

Ele era chamado de Direitero por nunca saber o contrario de canhoto quanto era perguntado sobre. Uma conversa comum entre comandantes das naus, quando se tinha que optar pela esquerda ou pela direita.

- Vou direto ao ponto H3, chego um contêiner que acabo dando problema pra desembarcar. Ele tava sem os papeis, mora? Daí tiveram que recolher ele pro campo de aguardo. O Clive e o Motim acabaram ajudando com o caminhão e me falaram que os guinchos estavam achando a caixa leve de mais. Ta me morando?

- Não sei o que isso é bom pra mim, mas diga lá. Talvez você saiba. – Hunt serviu a cerveja para o amigo, e depois para si. Um ultimo camarão acabou sobrando no pires. Depois de alguns segundos sem ninguém se voluntariar, Hary se serviu.

- A caixa foi roubada no dia seguinte! cabreiro né? – Nebraz matou a cerveja em um gole ligeiro e encheu o copo novamente.

- Porra e o que isso tem haver comigo? Vai ficar ai fazendo cena o dia todo? Quantos containers são roubados aqui por dia? Quantos chegam sem papeis? – Hunt bateu a mão na mesa fazendo a garrafa dar uma leve sambada, parando novamente em pé.

- Desculpa H3, eu… eu só achei que isso ia animar sua curiosidade. – ele deu um gole curto no copo americano.

- Por que? – Ele fez sinal para pedir a conta ao garçon.

- Sei lá. – Nebraz estava um pouco constrangido, sabia que tinha perdido uma boa grana. – Alguém mandou uma caixa pra cá, e tirou o que tinha dentro. Sem ninguém ver o que tinha dentro. Gasto uma grana para por ela junto das outras caixas, saca? Sabia de como as coisas funcionavam por aqui. Depois, foi lá, e tirou o que tinha dentro. Assim, simples assim. – Estralou os dedos. – Vai dizer que não é curioso.

Hary contava o dinheiro na carteira. Deixou a grana sobre a mesa e se levantou. Sem duvida era algo curioso.

- Como a caixa foi aberta? – Hunt jogava o terno sobre os ombros.

- Como a chave da caixa mesmo. – Ele serviu o resto, e ficou esperando as gotas da bebida caírem no copo.

- Obrigado Nebraz. Mas hoje fico com meu dinheiro.

Hary saiu sem pagar o bochicho. Era algo curioso, mas não lhe interessava. Não valia cair na isca e seguir aqueles passos. Não nesse momento.

Havia mais uma coisa a fazer na cidade. Sempre que ia a Paranaguá ele aproveitava para conversar com Robert Crais, um detetive aposentado que vivia do que ganhou em alguns casos no passado. Vivia em uma casinha na Ilha do Mel, criava cachorros, já que odiava a quantidade de gatos que havia naquele lugar.

Ao se dirigir para o trapiche, e comprar a passagem, viu as nuvens negras cavalgando sobre o horizonte. Ia ser uma viagem difícil e ele saiba que Crais estará de mau humor. “Melhor comprar um vinho pra ele.” E volta pra Praça do Mercado.

 

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Cyanide Happiness

Elefantes não esquecem

Elefantes não esquecem

Se alguem não conhece a acides destas tirinhas, este alguém realmente não curte tirinhas online.

Começando pelo nome do site “Cianeto e Felicidade” (em uma tradução provável), já se consegue entender a proposta de humor desses simples personagens. Algumas tiras tendem ao “quanto mais idiota melhor”, outras para a o nojento ou sem sentido, mas normalmente, a inteligência e boas sacadas tornam os diálogos citáveis em qualquer roda de amigos.

Vale a pena acompanhar, ler e seguir. Não é nenhum Laerte, e o desenho não é louvável. Mas é bruto, humano e engraçado bagaraio!

Site :  http://www.cyanidetraduzidos.com.br/

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Os números de 2010

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Mais fresco do que nunca.

Números apetitosos

Imagem de destaque

A Torre de Pisa tem umas escadas com 296 degraus até ao topo. Este blog foi visitado cerca de 1,000 vezes em 2010. Se cada visita fosse um degrau, já teria subido a Torre de Pisa 3 vezes

 

Em 2010, escreveu 51 novos artigos, nada mau para o primeiro ano! Fez upload de 95 imagens, ocupando um total de 56mb. Isso equivale a cerca de 2 imagens por semana.

The busiest day of the year was 13 de agosto with 73 views. The most popular post that day was Turistas diante do Aconcágua, aquele bem ao fundo..

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram twitter.com, higienefecal.blogspot.com, mail.yahoo.com, orkut.com.br e facebook.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por higiene fecal, necrofilia, higienefecal, higienefecal wordpress e desenhos vacas sombra

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

para a the bakers setembro, 2010

2

A vida começa agora! setembro, 2010
1 comentário

3

O atendimento não sabe oque é um briefing? agosto, 2010
1 comentário

4

Sobre o Blog julho, 2010

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“Maus aê”

Tenho andado introspectivo. Daquele jeito chato de estar. Ficar pensando de mais no passado, refletindo sobre erros e tentando achar alguma coisa dentro de você, apertar aquele parafuso ou dar Boot em algum driver. Essa situação afeta meus textos tornando-os chatos e enfadonhos.  Com muitos eus, e eus falando de mim. O que, se há um leitor freqüente no blog, deve estar achando um porre.

Isso se deve ao fato do curso abril ter “acontecido” na minha vida. Sim, o carrasco de minhas ambições. A imagem que consegui fazer dele para ilustrar a vocês os meus sentimentos é a seguinte: “Loteria, 120 milhões. Você está acompanhando o resultado sair ao vivo, sai o primeiro, confere, segundo, confere, terceiro… confere, quarto… errado. Em um segundo você pensa. “A quina! Vou fazer a quina! Vai ser mais de um milhões a quinta! puta que pariu a quina!” quinto, certo! e sexto… errado. Puta que pariu, você fez quatro números! Não, pior… aquele ultimo, você tinha parado a caneta sobre o ultimo numero que saiu, você pensou, “vou marcar esse, vou sim…” mas de ultima hora, achou melhor marcar na dica de outra pessoa e marcou aquele outro mesmo. Esse numero ficou na sua cabeça. E agora, irá ficar pra sempre por que você QUASE fez fortuna.” Prolongue esse sentimento por dias. É assim que eu me sinto.

Falar de leitores do blog e do curso abril me permite entrar em um assunto que me perturbou um pouco hoje a tarde. Não sei se você sabem, mas o cara que me entrevistou para o curso Abril é um tal de Pimenta, Edward Pimenta.  Esse cara, hoje, mandou um twtt falando sobre o texto de uma jornalista que não passou nas entrevistas. O que me fez pensar que, em uma hipótese remota, ele tenha lido este blog ou, em um surto delirante, ele LEIA este blog.

Nisso eu reli alguns dos meus textos introspectivos, repleto de fúria e tristeza e bla bla blas e pensei: “Porra, eu deveria ter corrigido melhor o português antes de por isso aqui.”

Bom, eu nunca pensei em ter leitores, imagine ter alguém, que manje de textos e tal, lendo, talvez, de maneira critica? Agora entendo por que minha avó arruma toda a casa quando tem visita, mas quando nós vamos lá ela não se preocupa tanto com isso.

Só me resta citar Ésquilo, ilustre desconhecido, famoso por dividir o quarto com o OverMan!, quando ele, em um momento solene, resolvia tudo dizendo: “Maus aê”.

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Os textos da abril

A história triste eu postei a baixo. Em resumo, eu tentei e não passei na abril. É isso. Nem sei o que falar mais. Não devo ser bom o suficiente para a Abril, uma pena. Agora a vida segue. Não serei jornalista, serei historiador. Isso é agradável de se pensar.

Segue a baixo dois texto, o primeiro que eu escrevi para a Abril, mas não mandei, por que eles queriam algo mais simples. Mas eu gostei tanto dele e queria uma oportunidade de publicar em algum lugar e vai ser aqui. E depois, o texto com todas as alterações que mandei para a Abril e me fez passar para a segunda faze.

Espero que apreciem.

Primeiro texto:

Em uma história muito humana posso ser visto como herói e vilão, não há como em curta vida dar uma certeza do que sou, somente do que tentei ser. Afinal, em um mundo como representação, não importa como me vejo, mas como me vêem, provando assim, a veracidade da  frase de Julio Cezar, o romano, em um pensamento que pode ter sido posto em sua boca ou ser realmente de sua autoria: “É impossível não acabar sendo do jeito que os outros imaginam que você é”.

Estes questionamentos filosóficos e estas relações do espaço com seu tempo e de nos mesmos com nosso espaço (físico e social) me foram apresentados durante o curso de bacharelado em História, onde abri meus olhos para horizontes antes jamais imaginados por mim. Não somente aquele azul e reto visto por Cabral ao buscar seu paraíso alem mar, mas toda a gama de relações intrincadas que as tramas políticas e econômicas acabaram por forjar o presente, partindo de um passado remoto almejando um futuro desconhecido.

Baseado no que descobri com todas as leituras e indagações realizadas durante a faculdade, cheguei a uma conclusão: quem concreta os fatos a serem futuramente questionados pelos historiadores são os jornalistas (Não duvido que um protótipo do gênero tenha anotado em pergaminho e nanquim a frase do senhor Cezar, já pensando em um furo de noticia). Não somente eles, claro, mas deles podemos tirar uma das facetas de um mistério, colocar suas percepções diante de outra tantas e formar assim uma interpretação da realidade. Não vejo o jornalismo como um elaborador de verdades, longe disso, mas ao dialogar esta ferramenta com o cinema, a musica, as histórias em quadrinhos e as memórias daqueles que viveram esse passado, conseguimos chegar a uma pequena parcela da infinita história em que vivemos. É neste ponto que minha vontade de participar desse processo entra, não ambiciono somente recolher os fragmentos do passado, mas fazer parte da produção desses preciosos diamantes a serem polidos. Com minha formação em bacharelado, ou seja, voltada exclusivamente a pratica da pesquisa e elaboração de textos, vejo-me mais que capaz para cumprir essa tarefa.

No entanto, sei que minha formação não é ligada diretamente a esta área, mas, subindo montanhas, compreendi em trilhas e paredões de pedra que todo caminho precisa de experiência, vivencia e coragem, contudo, dar o primeiro passo é a única forma de começar. Neste mesmo pensamento que larguei estágio após estágio para me dedicar ao que eu realmente amava: escrever artigos e concluir minha monografia (a qual recebeu nota máxima, por sinal). Não vale a pena se dedicar a um trabalho monótono, repetitivo e que, para qualquer fã de ficção cientifica, fica claro que um robô faria de maneira veloz e mais eficiente. Sempre aprendemos algo novo por todos os lugares em que trabalhamos, mas chega um momento que, quando você sabe que não é necessário fazer seu melhor para se ter um trabalho bem feito, a vontade de buscar uma nova trilha torna-se maior que a realização que aquele trabalho trás. Temos que saber o que queremos e ir atrás.

Vejo o jornalismo não somente como uma profissão, mas uma arte, onde um homem se depara com o mundo e usando de suas experiências e ferramentas de trabalho, cria algo novo, e o resultado é a interpretação dos outros sobre o que ele concluiu.

Sou Fernando Scaff Moura, historiador, vinte e dois anos e quero ser jornalista da Abril.

Segundo texto:

Estou eu, Fernando Scaff Moura, pensando sobre o que escrever, minha vida e obra, meus  22 anos, quando uma caminhonete acerta em cheio o carro que eu dirigia.

Um bom ouvinte, antes de apontar culpados gostaria de mais informações sobre o acidente. Até agora você só sabe que eu estava distraído, então a culpa pelas evidências estão contra mim. Vou enrolar um pouco para deixar o mistério mais interessante. Como diria um bom detetive, para haver um criminoso, primeiro deve haver um crime.

Era uma noite tranquila, daquelas curitibanas, fria com o céu completamente negro. Nada em Curitiba fica aberto 24 horas, para ser justo, podemos dizer que alguns puteiros fecham às seis horas da manha, e mais uma três panificadoras ostentam aquela plaquinha com um sol e uma lua junto do reluzente “24h” na fachada. Curitiba pode ser uma capital de um estado, mas ainda lembra muito a cidade do interior de onde vim. Exceto o fato de que aqui tem mais asfalto nas ruas e ninguém se cumprimenta nas calçadas.

Tenho que admitir, eu não sou jornalista, sou historiador. Mas antes que isso pese contra mim no júri, tenho em minha defesa que em um momento da minha vida pensei em percorrer os corredores de jornalismo na faculdade. Mas isso foi no instante em que tive de optar por aqueles vários cursos como opção na hora de se inscrever para o vestibular e pelo fato que sempre começo a ler de trás para frente quando passo o dedo por listas. Fora este breve momento, sempre tive certeza da minha escolha: Historiador.

Voltando à noite tranquila. Meu irmão havia me ligado para ir buscá-lo no bar. Então deixei minha namorada em casa, peguei o carro e parti para o resgate! Não houve problemas, amigos entraram no carro, deixei cada um em suas casas e, nesta louca Curitiba das 24h inexistente, eu e meu irmão acabamos parando em um McDonald’s para fazer um lanche, isso por ainda não ser 4h da manha, quando ele fecha. Suspense.

Não sou um historiador qualquer, sou formado em bacharelado, o que me faz ser uma espécie de jornalista. Sei pesquisar e escrever. Validar fontes, fatos, fotos, fofocas, fac-símile, falatórios e qualquer outra coisa coerente que comece com f, ou qualquer outra letra, algo muito parecido com a profissão de jornalista. Porém, não há um ser chamado “Historiador” no Brasil e muitos jornalistas escrevem sobre “história”. Então, por que eu também não posso ser jornalista? É uma profissão atraente. Quando estava na faculdade, li um texto que compara o historiador ao Sherlock Holmes. Eu, amante de romances policiais achei a comparação muito legal. Mas, penso que, enquanto o historiador é um detetive à moda inglesa, o jornalista saiu da máquina de escrever de Raymond Chandler, à americana.

Somos primos de profissão, historiadores e jornalistas, um precisa do outro para validar suas idéias e concluir suas anotações. Eram essas coisas que passavam na minha cabeça quando uma Tucson avançou a toda velocidade, em marcha ré, no carro estacionado na fila do drive-in do McDonald’s. Entre devaneios de unir a história com o jornalismo, a batida me trouxe novamente para a terra, literalmente. Eu estava fora do carro, parado ao lado da porta, e o golpe me jogou longe. A noite acabou assim. Sem evidências de um criminoso, sem pistas para se fazer justiça. Um caso, Holmes diria, “simples demais, por isso tão difícil de solucionar”. O sujeito fugiu nas vazias ruas da madrugada curitibana. Vazias, provavelmente, pelo fato de não haver muitas coisas 24h pela cidade.

O jornalismo não faria justiça neste caso, mas responderia os porquês de alguém dar a ré em outra pessoa. É esse meu desejo em ser jornalista, a possibilidade de mostrar o mundo como ele é e tentar mudá-lo para melhor.

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O fim justifica os meios

Bom, aos interessados. Não passei no Curso Abril. Por que? Tenho minhas suspeitas, uma grande parcela leva a minha incompetência em diversas áreas das relações humanas, a outra parcela, um pouco menor, envolve uma conspiração mística exotérica para me manter controlado em meu mundinho. Gosto de pensar que o universo conspira contra mim, faz-me sentir importante! Diferente de encarar o fato de que eu, talvez, não seja lá grande coisa mesmo…

Fiquei feliz de ter passado na primeira faze, isso realmente faz sentir que tenho um bom texto. Não que isso fosse novidade para mim – me permita usar da soberba, afinal, é tudo que resta ao fracassado – minha monografia foi tida como “revolucionaria” dentro do curso de história, apelando para a pós modernidade, usando recursos literários tênues de mais aos historiadores. E, acredite, eu quis fazê-la desta forma. A forma como escrevi, defendi e as orientações de meu professor faziam-me perceber que ela, de fato, estava saindo ao mundo diferente das outras que, pelo menos dentro da universidade que me formei, haviam saído. O resultado disso foi uma nota 10, elogios, e a vontade de cada vez mais me aprofundar dentro desse mundo acadêmico que tanto me seduz.

Porem, em um momento desse processo, em meio a escrever projetos de mestrado e um artigo, surge a possibilidade de ser jornalista. Sendo franco, historiador não é lá o maior fã de jornalistas. Alguns deles se sobressaem no mundo da historiografia, como Robert Darnton, sem duvida um dos grandes historiadores que temos vivo. Acredito eu que até ele se veja mais como historiador do que jornalista, já que ele ocupa as cadeiras de história na academia. Porem, outros, como aquele cara, que nem vale saber o nome, que escreveu 1808, defendendo, como uma animação constrangedora, que a Wikipedia e a internet possuem recursos de pesquisa sem iguais! Talvez ele esteja certo, nenhuma fonte decente se compara a Wikipédia… em fim. Jornalistas e jornalista.

No entanto, todo esse ranço acadêmico sobre outros que querem fazer parte do grupinho me foi posto ao inverso. A possibilidade de ser jornalista. Eu, um historiador, educado para ler tudo que os jornais e demais mídias escrevem com todo o cuidado do mundo, sempre buscado um outro recurso para verificar  o que, de fato, aquele veiculo de comunicação, regado de política, arbitrariedade e intenções, quis dizer. Um historiador entre os jornalistas, particularmente não vem de cabeça algum como referencia. Mesmo que ser jornalista seja algo bem atraente. (Em fim, nem me darei ao trabalho de aprofundar, qualquer um que tenha prazer em escrever consegue entender o fascínio da profissão.) A possibilidade me animou.

Assim decidi, por indicação de minha namorada ,tentar participar do curso abril. No fundo achei uma tolice. Nos mesmos ranços acadêmicos dos historiadores, sem duvida agora, com o diploma de jornalismo tendo se tornado tão precioso quanto o de um historiador – ou seja, não se precisa ter um para se exercer a profissão – sem duvida, eles vão proteger os seus. Isso é natural dos grupos na criação e proteção de sua identidade.

O fato é que eu passei para a segunda faze. E isso realmente me surpreendeu. Será que eu passei por ser historiador? Ou por que eu tinha um bom texto? até agora não sei. O que sei, e todo historiador sabe, é a nobreza que dizer “eu sou Historiador” envolve. Ainda mais eu, que só tenho diploma de bacharelado, nunca pisei em uma sala de aula, a única coisa que sei fazer é estudar e escrever artigos e projetos.

Os poucos artigos que consegui publicar e as apresentações que fiz, mesmo sendo formado a tão pouco tempo, foram tão agradáveis que, sem duvida, a vontade de ouvir mais pessoas elogiando seu trabalho, vindo conversar com você após uma apresentação, ou ler seu nome em uma publicação, faz querer isso mais e mais! O jornalista tem isso sempre, deve ser até banal, mas para um historiador ter seu artigo discutido em algum lugar é muito bom. Eu, por exemplo, sempre que me avisam que minha monografia está emprestada para algum aluno eu sorrio orgulhoso por dentro. Saiu dos meus dedos, foram seis meses de trabalho duro que sacrifiquei muitas coisas para ela estar nas prateleiras da biblioteca (somente monografias acima de nota 8 habitam aquela estante) ,para  um professor chegar e falar “tal aluno leu sua monografia, adorou o primeiro capitulo” porra, isso é muito bom pro ego.

Antes de entrar mais a fundo no concurso, gostaria de aprofundar um pouco a relação dos jornalistas para com os historiadores. Minha namorada é jornalista e ela fala que todo jornalista tem algum tipo de paixão por historia, no caso dela, por um historiador. Porem, isso se provou verdadeiro quando apresentei sobre a guerra do Vietnã em um simpósio internacional aqui na UFPR. Usei uma historia em quadrinhos como fonte e suas representações. O curioso em que minha apresentação era no segundo dia dos três. No primeiro dia eu descobri uma coisa que, para um calouro em apresentações cheias de adultos, mestrandos ou formados, mudaria minha vida para sempre: só tinham jornalista e psicólogos na sala. Eu havia feito um trabalho para historiadores e ele era bem curto, quando eu assisti ao primeiro dia eu sai pensando “merda, agora vou ter que validar minha fonte.”

Essa parada de validar fonte para os historiadores é simples, muitos deles já sabem onde elas se validam, tendo que simplesmente provar sua utilidade. Mas para outros, ouvir “quadrinhos” pode ser bem impactante. Passei a noite mudando minhas paginas do PowerPoint. No dia seguinte fiz uma apresentação, mais longa, talvez cansativa, mas muitos riam, tento ser descontraído sem perder o foco, e aprofundar o assunto das fontes para entrar na guerra em si. Para mim, provar que os quadrinhos são dignos de tantas honras quanto a literatura é uma guerra e eu vou levá-la para o tumulo comigo se for necessário. Ao fim, aplaudiram, teve alguns que até ficaram de pé, fiquei meio constrangido. Depois, aconteceu algo que não havia acontecido no primeiro dia. A jornalista, que era a presidente da banca do dia, pediu a fala para um encerramento e me elogiou, abrindo brechas para que todos o fizessem. Uma jornalista gaucha também foi elogiada, mas até ela me elogiou, dizendo não haver comparação entre os dois trabalhos. Eu fiquei quieto, agradeci aos elogios, mas não sabia o que falar, não esperava por isso. Quando participei assistindo as palestras de meus professores, não tinha essa coisa de elogiar, cada um escuta, depois absorve e na duvida, vai conversar com os palestrantes. Particularmente, não havia gostado muito dos outros trabalhos, muitos ainda estavam por terminar, ou usavam a internet como sendo algo incorruptível. Onde tudo acontece naturalmente e a fonte fosse estar lá no futuro, quando eu fosse validar a pesquisa da moça e descobrir que ela não existe mais. Pesquisas efêmeras. Não quero parecer arrogante, mas temos que ser críticos a trabalho acadêmicos, são eles que formam a tecnologia do país e sua intelectualidade. Se meu trabalho estiver ruim, e muitos estavam, eu sempre gostei quando um professor falava, “e como você validou a fonte?” ou “e o teórico?” “quem disso isso?” e outros mantras que acabamos aprendendo na marra.

Não sei se é conseqüência disso tudo, mas passei para a segunda faze, como já havia dito. Tudo que eu havia aprendido na faculdade me fez vibrar. Poxa, deve ser legal escrever sempre! Eu gosto e escrever. Escrever sempre e ganhar pra isso? Porra, sem duvida é um de meus maiores desejos. Fiquei com isso na cabeça. E, claro, isso atrapalhou meus estudos. Durante a ansiedade, acabei ficando bem transtornado, parece que, se eu tivesse passasse, tudo seria diferente, e eu gostaria de saber se eu estaria preparado para todas as mudanças, tanto de área, quanto de perspectivas de futuro. Em fim, quando fui para entrevista, sai de lá pensando “bom, agora é fato… não passei.” E tentei seguir a vida. Mas o ruim de entrevistas é que elas são humanas, e entre as relações humanas pode ter tido aquela afinidade dos primeiros 5 segundos que faz o cara parar, pensar e até relevar algumas coisas. Então, fica aquela expectativa do “vai que…” agora, de fato, eu estava certo. Não serei um historiador entre jornalistas. O que até que foi um baque agradável, por que, do pedestal que eu cai, eu me vi onde eu estava antes de subir nele, e vi que não é um lugar ruim. Meu emprego pode ser uma droga, mas ser um historiador é um prazer sem igual. Eu gosto dos meus pares, e gosto de fazer parte desse mundo cheio de pompa e circunstancias.

No fundo, sou um historiador puro, como dizíamos na faculdade, e agora vejo que devo mesmo seguir nesse rumo. Mas, mesmo assim, obrigado Abril por ter me permitido ver um novo horizonte de possibilidades, sem duvida ,haverá mais historiadores ano que vem tentando o sonho de ser um jornalista de suas paginas, muitos gostaram tanto da minha historia que também querer dizer pra mim “meu texto foi avaliado por fodões de outra área e foi aprovado”. Sem duvida, mesmo sem um certificado validando isso, faz sentir a tranqüilidade que estamos no caminho certo. Espero estar fazendo um mestrado ano que vem, então, acho que não vou saber como é o café de uma das editores mais predominante do país, ouvi dizer que é ruim… mas nunca vou validar isso empiricamente.

Toda essa ladainha é um desabafo. Ontem sai para beber e acabei não bebendo. Fiquei vendo a noite passar angustiado por esses sonhos prontos terem sido tirados de mim, mas a vida é assim, não é a primeira vez que fracasso em uma oportunidade de momento, acredito que não será a ultima, mas vamos lá, um dia eu consigo montar no cavalo encilhado que passar por mim.

O resto é história.

 

 

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