Como entender? A vida segue de uma maneira descontrolada rumo a algum lugar que parece que não queríamos estar. Um Clube da Luta, uma Metropolis. Acho que quando alguém nos ensina a não mentir, não nos prepara para as mentiras que estouram sem sabermos de onde em um súbito que jamais conseguiríamos controlar. “Eu estava certo” é tudo que consigo pensar quando me deparo frente a frente com o pior que meu amargo pessimismo conseguiu me preparar. Estou aqui, olhando, encarando tudo que temi e tento cantar desesperadamente aquele trecho da musica do Legião Urbana “nada mais vai me ferir, pois eu já me acostumei” sendo que não estou acostumado com tanta dor e sofrimento. Eu posso ter sofrido de amor na adolescência, mas agora, agora eu queria aquele amor tranquilo, aquele estamos juntos para sempre que as canções de amor gritavam e eu não ouvia. Acho que é aquele furacão, aquela tempestade que chamamos de vida que acaba assolando nosso mundo e deixando ruínas que, um bom historiador gostaria de explorara e encontrar mais fontes para reconstruir essa história. Mas Macondo não existe mais. Uma história que ela não quer ouvir, que não quer entender ou nem dá a mínima importância. Sentimentos? O que são sentimentos perto do egoísmo humano e a vontade de chegar a algum lugar? Sim, ela, sempre ela. Sendo homem temos desejos e vontades, abrir o peito de deixar sair aquele sentimento que nos faz humanos, o melhor que poderíamos ser. Sim, ela. Engraçado como mesmo estando com alguém aquela solidão bate de uma maneira tão aterradora que tira o chão, as certezas e que pulsa um eletrizando “não sei”, uma vontade de chorar dizendo “não sei”, de gritar aos prantos “EU NÃO SEI!”. Gostaria de poder dizer “nada” e aguentar todo esse engodo que é a vida que levo. E tentar superar por que é simples assim. Mas não aguento. A agonia da fila, da espera. Eu sei o que quero, mas não quero querer algo que não me quer. Não quero deixar de ser quem sou, e te fazer chorar. Não quero pensar que a vida se vai em minha mãos como areia e a única coisa que faz a areia ficar é por estar molhada com minhas lagrimas e sofrimento. Que se vá. Vá com o vento, com a água, com a chuva com o que quiser. Mas me deixe me recuperar, me deixe ficar deitando no meu amargo pessimismo e superar a minha vida. Não quero evitar a queda, não aceitei o estoicismo na minha vida. Quero sentir tudo que posso todo amor que se vai e deixar todo o resto ir junto, pra levantar depois, olhar pra frente como sempre fiz e ir. E assim que superei aquela montanha em baixo de chuva, aquela trilha carregando as coisas de um amigo, aguentando a covardia do grupo pois o grupo não entendiam que não faz diferença nenhuma voltar ou seguir em frente. Cala a boca e anda. Eu sei fazer isso. É o que farei. Hoje pulsa na minha cabeça aquela dor de estar certo, de ter dito que você não aguentava, que você não era confiável, que seus olhos azuis não iam ficar comigo por tanto tempo. Eu disse que não íamos ficar juntos. Eu disse que você não era a mulher certa para mim lá em Montevidéu. Falei, enquanto você chorou, brigou, esperneou. Depois, falou que ia ser. Me fez jurar que eu ia esquecer esses sentimentos, que você queria fazer parte da minha vida. Você Me Fez Jurar, em lagrimas, para que pensássemos no futuro juntos. Foi você que me fez ser o que sou agora. Esse lesma sentimental que te quer e quer te fazer bem. Eu estava certo. É um dos piores sentimentos que eu podia sentir agora. Eu, aquele cara que, na época tinha 21 anos de idade, estava malditamente certo sobre tudo. Agora, quando sou eu que falo para fazemos o futuro você teme, foge, se intimida sobre o que me fez jurar. Eu nunca te trai, eu tentei ser leal a você e a mim e, quando ser eu mesmo te fazia chorar acabei evitando ser um monstro e te fazer feliz. E tudo que você conseguiu me trazer após malditos três anos foi confusão e sofrimento. Você se entregou para um cara que você nem conhecia só por que ele sorriu pra você. Você vem me dizer que tem sentimentos para com um amigo de infância meu e quer que eu entenda? Foi você que não aceitou quando eu disse que queria um relacionamento aberto, foi você que falou que não era assim que funcionava que me queria só pra você. E eu aceitei. Tolo que sou, neguei a anarquia dentro de mim pelo amor de uma polaca que não merecia metade da minha verve. Se agora sinto que preciso entender e escrever, de gritar aos quatro ventos que eu não estava errado, como um louco medieval ao propagar o obvio, faço isso por que de tudo que me resta sobra a loucura. Da lógica que sinto orgulho só sobram as palavras. Toda carta que te escrevo foi mau interpretada. Quando quero te incentivar a lutar pelos seus sonhos a única coisa que você lê é que eu te acho uma fracassada. De quando peço para ser a garota que você era, você entende que eu não amo quem você é. E, quando eu sou forçado a ouvir as mesmas coisas junto de “eu não sei se te amo”, devo eu ser estoico. Ser um cavaleiro que ao encontrar a princesa na torre tenho que dar a ela o privilegio da escolha. Ótimo, que se dane minhas metáforas, meu jeito enrolado de falar e meu diploma. Que se dane meus sentimentos e quem eu foi e sou. Que se dane o que prometi e o que jurei. Afinal, hoje, você não sabe. Você quer se descobrir e entender. E eu não faço mais parte disso. E quando eu peço pra saber por que você diz, plácida, “não é você, sou eu”. Obvio, se fosse eu você faria questão de esfregar na minha cara. Foi você que me fez não querer gravar na minha pele os dizeres do “Não, não quero nada” que Fernando Pessoa me sussurrou na adolescência e ficou na minha cabeça até hoje. Foi você que me fez pensar “não quero nada, só você” e, agora, me sinto estúpido por não ter aceito aquela vez que terminamos. Ter aceito a condição humana. Ter sofrido com meus amigos, ter sofrido sozinho, ou ter sofrido no raio que o parta, mas ter sofrido a dor da perca do que ficar no martírio da angustia. Acho que as pregadas foram menos dolorosas do que ter que carregar a cruz até o topo daquele monte. E ter carregado em uma maldita fila de outros criminosos. Eu só queria tudo que você sempre quis. Fazer parte. Estar junto. Que você me fizesse sorrir. Se sou egoísta? Posso ser, da mesma forma que você aceita ser coverde eu aceito meu egoísmo, sou humano, nasci assim. Eu quero alguém que faça valer a pena ser alguém melhor. Me sinto um bundão, um bostinha, como aqueles namorados idiotas da minha irmã que vinha até aqui em casa chorando por causa dela. Mas não chorarei mais. Quando sussurrar não adiantar gritarei que “nada mais vai me ferir, pois eu já me acostumei” , até eu me acostumar. E você será um espaço no meu passado, que lembrarei com carinho como lembro de todas as outras. Como diria Nick Hornby, em Alta Fidelidade, se você esta tentando me foder, muitas fizeram isso antes de você.
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